Quedas de Kalandula – O Que Fazer por Lá? | Angola

Quedas de Kalandula – O Que Fazer por Lá? | Angola

21 March, 2019 4 By hugocaro

As Quedas de Kalandula são umas magnificas cascatas que estão a pouco mais de 4 horas e meia de Luanda. Estão inseridas na provincia de Malanje e são as segundas maiores quedas (apenas vencidas pelas Victoria Falls no Zimbabué) de África, e estão aqui, em Angola – esse país que para muitos ainda é um mistério!

Quando comecei a pensar que gostava de conhecer as Quedas, várias duvidas me surgiram. Comecei a escrever no Google, e apercebi-me que não existem respostas para as perguntas no google, então, é por esse motivo que vos escrevo este post: para os entusiastas da Natureza saberem o que podem contar, quando ir, e o que fazer por lá. Fiquem comigo até ao fim, para lerem o que me aconteceu quando tentei ficar alojado em Kalandula!


Onde são as Quedas de Kalandula?

As Quedas de Kalandula estão localizadas na província de Malanje, a pouco mais de 4h30 de Luanda. Deixo-vos aqui o mapa para que não se percam:

As estradas para lá, são boas? Para onde me devo dirigir?

As estradas para Kalandula estão razoáveis. Ouvi dizer que há uns meses atrás a viagem podia ser de, até, 9h00 para cada lado. No entanto, entre Ndalatando e Kalandula foi aberta uma estrada nova que, até ver, está impecável. De Catete até Ndalatando… bem, tenha cuidado com a estrada e com os buracos, não vá o pneu furar.

Mas em resposta, sim. As estradas são boas, demora-se cerca de 4h50 para cada lado, e acreditem que a vista vale bem a pena!

Agora, as Quedas de Kalandula podem ser vistas por duas perspetivas: a mais comum, é ir pela vila de Kalandula (que fica em cima da maior queda de água). Eu não fui para esse lado, nem recomendo: Vi fotografias tiradas desse lado, e acredito que a dica que vos vou dar agora vai ajudar-vos bastante.

Recomendo seriamente, que vão pelo lado inverso (como vos mostro no mapa a baixo), por várias razões: a primeira é que é um espaço particular, e como tal, tem um valor que tem que ser pago para entrar (500 kuanzas por pessoa + 1000 kuanzas por carro), ao ser um espaço pago, garantem que não será tão enchente como do outro lado. Aqui também não existem os rapazes a tentar fazer de tudo para vos acompanhar, em resumo, aqui estão à vossa vontade, aos vossos timings. Em segundo lugar, a vista deste lado “de cá” vale muito a pena!

Este local privado que vos falo aqui, faz parte do espaço da Pousada de Kalandula – uma pousada que oferece estadia e refeições a quem pretende pernoitar. O que nos conduz à próxima questão…


Vale a pena um fim-de-semana completo, ou basta apenas um dia?

Na minha sincera opinião, vale apenas um dia. E passo a explicar porquê: a oferta hoteleira é fraca, e não vale o preço que pratica. (No fim conto-vos a minha, hilariante, experiência em tentar dormir em Kalandula, não se esqueçam de ler tudo!) Estamos a falar de 65.000 a 70.000 kuanzas!

Uma vez que não existem muitas opções de alojamento em Kalandula (podem sempre afastar-se mais das quedas e ficar a dormir em Malanje) os preços praticados (pela Pousada de Kalandula e pelo Hotel Kalandula – ambos partes do mesmo grupo) são muito altos, mesmo. E não oferecem serviço coincidente com o preço pago. No fundo pagam apenas a vista.


E como organizo o meu dia? O que eu recomendo fazer?

O truque está em sair bem cedo de Luanda – eu saí por volta das 6h. Chegamos à pousada perto das 11h40. Assim que chegarem, perguntem ao simpático senhor que vos recebe onde é o miradouro 360º para verem as quedas em plenitude, ele indica-vos o caminho. Mas adianto que é apenas a 10 minutos de caminhada desde a pousada, muito perto, mas com uma vista assombrosa! Depois, se tiver um 4X4, pode descer à base das Quedas de carro, se não tiver, pode faze-lo a pé. São 3 quilómetros para cada lado, que se fazem bem, aproveite novamente para apreciar a Natureza, com o barulho ensurdecedor das quedas a baterem no chão! Maravilhoso!

O miradouro 360º
Na base das Quedas

Se quiserem, podem almoçar na pousada, (ou trazer a marmita!) pelo que me recordo, o preço por refeição que é buffet é perto de 10.000 kuanzas. Mas aqui, apesar do preço também ser elevado para a comida que foi apresentada, estamos a pagar a maravilhosa vista que temos enquanto almoçamos. Se tiver valores disponíveis, aconselho a beber um sumo natural, e ginguba antes de almoçar, numa maravilhosa esplanada. Tudo com calma, Malembe!

Depois de almoço, é arrancar e passar pelas Pedras Negras de Pungo Andongo, não fica “de caminho” mas a distância não justifica que fique mais um dia. (Eu acabei por não ir lá, não porque não quis, ou porque não deu, mas porque tive a peripécia do alojamento como já vos conto de seguida!)

Imagem retirada de: https://www.verangola.net

Depois arrancar para Luanda, e descansar de um dia com muitas horas de viagem. Pelo caminho pode sempre ir parando para tirar fotografias.

Deixo-vos ainda aqui um video que fiz, (bem rápido) sobre a minha passagem por Kalandula!


A PERIPÉCIA DE TENTAR DORMIR EM KALANDULA

Apesar de, vários amigos me terem dito que não valia a pena dormir em Kalandula, eu decidi ser teimoso e insisti que queria dormir por lá! Para aproveitar com mais calma. E até aqui tudo bem.

Decidi então, que gostava de ficar perto das Quedas, entrei em contacto com a Pousada de Kalandula, a solicitar uma reserva na pousada (apesar de, novamente, me terem dito para não o fazer). Responderam-me que não tinham quartos disponíveis para me alojar nesse fim-de-semana mas que tinham um Hotel que era, em tudo semelhante, mas servia apenas para dormir. Tudo o resto (alimentação, etc.) seria na pousada. E até aqui tudo bem.

Reservei um quarto “premium” no referido Hotel Kalandula (antigo Hotel Yolaka). Pois bem, em Angola anoitece cedo, por isso, perto das 17h estávamos a caminho do Hotel. E chegamos perto dessa mesma hora. O Hotel, cujo valor da noite são 70.000 kuanzas, tinha um ar muito descuidado, no Verão com uma piscina muito suja, e partida. Um jardim muito mal tratado. Mas até aqui… tudo bem!

Quando chegamos ao quarto e vemos, um quarto com uma porta de latão no quarto, armários a tapar as portas, um quarto muito escuro, e sinceramente, nada convidativo. Mas ainda assim, até aqui, tudo bem!

Vi uma televisão moderna e vi que não havia rede móvel (uma vez que eram 17h tinha que me entreter até ir dormir) e perguntei à rececionista como podia ligar a televisão e se me podia dar a palavra-passe da internet, a resposta foi “por politica da empresa não o podemos fazer”. Aqui deixou de estar tudo bem!

Mal a senhora virou as costas para ir ligar, ainda , o gerador, e nos deixou às escuras no quarto, tomamos a decisão de ir embora. Era demasiado cedo para ficarmos sem fazer nada, à espera do dia seguinte. Informei a rececionista, e expliquei o porquê de o estarmos a fazer.

Tentei ainda apelar ao bom-senso dos donos dos estabelecimentos (tanto da pousada como do Hotel) tentando demonstrar o meu descontentamento com a situação e pedindo, ainda que parcialmente uma devolução do dinheiro, (porque em lugar nenhum foi informado que a noite seria de retiro espiritual sem acesso à comunicação – e também não era isso que eu estava à procura – ), através de um email, que até hoje, não tem resposta. Acredito que o valor que pagamos por uma noite, merecíamos melhor tratamento.

Agora entendem porque é que acho que vale a pena apenas uma noite? 🙂

Nem tempo tive para tirar fotos ao lugar, tal era o meu estado perplexo!


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